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24/10/2007 - 14h15
Leia as perguntas e respostas do bate-papo com a pedagoga Silvia Amaral

da Redação

O UOL News recebeu em seu estúdio para tirar dúvidas sobre dislexia a pedagoga Silvia Amaral, especialista em psicopedagogia e diretora administrativa da ABPp (Associação Brasileira de Psicopedagogia). Ela explicou como identificar a dislexia e respondeu às perguntas dos internautas sobre o tema. Leia a seguir a íntegra do bate-papo.

(11:39:18) Reg pergunta para Silvia Amaral: Existe alguma opção para disléxico prestar vestibular utilizando o computador? E quais as opções e procedimentos?

(11:54:32) Silvia Amaral: Reg, ainda não. Mas a Fuvest tem um tratamento diferenciado para o disléxico. Ele pode se inscrever na ECA (Escola de Comunicação e Artes) levando um laudo com o diagnóstico do transtorno. No dia do vestibular é disponibilizada uma sala especial com monitores que o ajudam na leitura das questões. Ele ganha ainda 25% mais de tempo para fazer a prova.

(11:39:23) Trinity_mlary fala para Silvia Amaral: Como identificar os sinais que indicam que uma criança é disléxica - e não preguiçosa, pouco inteligente ou mal-comportada? Estou falando de mau comportamento mesmo... porque a criança pode mudar o comportamento se ela sofrer de dislexia e não for compreendida na escola e em casa!

(11:56:59) Silvia Amaral: Trinity_mlary, existe um preconceito muito grande com o disléxico. As pessoas acham que quem tem dislexia é preguiçoso, descompromissado. Muitas vezes eles não gostam mesmo de estudar, mas por causa da dificuldade. O ideal é identificar os sintomas e encaminhar a criança para um acompanhamento, além de oferecer um tratamento diferenciado.

(11:40:24) guida pergunta para Silvia Amaral: Minha filha troca as letras, tem dificuldade para ler e escrever. Quem eu posso procurar ? Me ajude.

(11:57:51) Silvia Amaral: guida, existe a Associação Brasileira de Dislexia que faz o diagnóstico e algumas clínicas com equipes multidisciplinares.

(11:52:24) Ricardo fala para Silvia Amaral: eu sou professor de ensino fundamental I e na minha escola funcionava uma sala somente para alunos com dislexia. Os alunos possuíam atendimento neurológico e psiquiátrico, além de trabalho da psicopedagoga junto à professora e os alunos da sala. Só que em ano político muda o governo e o trabalho foi todo por água abaixo. A atual administração alegou que os alunos estavam sofrendo discriminação por estarem em salas diferenciadas, acabou com a sala e mesclou os alunos com os demais.

(12:03:55) Silvia Amaral: Ricardo, eu prefiro ver o disléxico em uma sala regular. Pode ser mais estimulante e, em uma sala separada, ele pode sofrer preconceito. O disléxico, se for bem cuidado, com pequenas atenções no processo de aprendizagem, pode caminhar sozinho. Não há necessidade de uma atenção total.

(11:52:45) Rozi fala para Silvia Amaral: Como diferenciar uma pessoa que tem dificuldade de aprendizagem por ser disléxico e um outro, por exemplo, que tem essas dificuldades por problemas emocionais?

(12:06:10) Silvia Amaral: Rozi, a criança que tem problema emocional pode ter problema de aprendizagem, um bloqueio, alguma dificuldade no geral, mas não somente na escrita e na leitura. Ela não vai trocar ou omitir letras. É preciso um acompanhamento dos pais e da escola para saber o que está acontecendo com a criança ao certo e tratar.

(12:01:32) Trinity_mlary fala para Silvia Amaral: O meu marido tem 30 anos e só na adolescência foi comprovado que ele tinha esse problema...só descobriu quando estava no antigo segundo grau... repetiu muitas vezes... apesar de ele já ter 30 anos e estar na faculdade com muito sacrifício existe um tratamento pra ajudá-lo... já que hoje ele já aceita a doença e quer ser ajudado por um profissional? E a gagueira tem alguma coisa a ver com a dislexia?

(12:09:00) Silvia Amaral: Trinity_mlary, a gagueira não tem necessariamente uma ligação com a dislexia. Elas podem ocorrer juntas ou separadas. Eu atendo disléxicos adultos e conseguiram aprovação no vestibular por meio de intervenções pontuais e acompanhamento constante. Procure algum lugar que tenha uma equipe multidisciplinar para acompanhá-lo.

(12:01:47) Georgina fala para Silvia Amaral: A criança pode ser reprovada sendo disléxica?

(12:11:19) Silvia Amaral: Georgina, pelo lei de Diretrizes e Bases ela pode. Não há uma lei específica para o disléxico.

(12:02:02) Leonora fala para Silvia Amaral: minha filha teve diagnóstico de dislexia, fez tratamento e depois teve alta. Pergunto: sempre terá que ter um acompanhamento no decorrer da vida, pois até hoje ela sente dificuldades para formalizar e interpretar textos.

(12:16:40) Silvia Amaral: Leonora, às vezes é preciso retomar o trabalho depois de um tempo. É preciso deixar o disléxico caminha por si só, pois o acompanhamento constante pode rebaixar a auto-estima. Um tratamento inicial dura uns dois anos, depois a pessoa tem alta e avaliamos o que acontece.

(12:09:43) kar fala para Silvia Amaral: Dislexia é um problema hereditário?

(12:18:48) Silvia Amaral: kar, sim, a herança genética é uma das causas da dislexia. Então, se já tem algum histórico de dificuldades na escola na família, é bom fazer uma avaliação da criança.

(12:09:55) kgq fala para Silvia Amaral: quais são os tipos e os graus de dislexia?

(12:22:10) Silvia Amaral: kgq, temos dois tipos: uma mais visual (para identificar globalmente as palavras) e outra mais auditiva (tem a ver com o som das palavras). Pode ocorrer uma dislexia mista também, com sintomas dos dois tipos. E os graus podem ser leve, moderada ou intensa, mas não gosto muito de classificar dessa forma, pois há muitas nuances na dislexia.

(12:11:05) Malu pergunta para Silvia Amaral: uma gestação emocionalmente complicada pode acarretar uma suposta dislexia?
(12:24:23) Silvia Amaral: Malu, não. Somente problemas emocionais durante a gravidez não gerarão dislexia na criança.

(12:12:40) regina fala para Silvia Amaral: O disléxico ou quem tem distúrbio de atenção está fadado ao insucesso?

(12:26:00) Silvia Amaral: regina, não necessariamente. Eu acredito muito na capacidade que os disléxicos têm de superar suas dificuldades. Meu marido e meu filho têm o transtorno e são pessoas muito bem sucedidas.

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